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GB - Como nasceu a equipe:

TIT - A Turma da Invasão nasceu em 1998 numa união de várias turmas pequenas aqui da zona norte: Retalho, Águia Dourada, e Explosão. Depois de uns 2 anos a gente se uniu com a Tradição. Como toda turma que tem bom gosto, nos espelhamos em grandes turmas de São Paulo como a Emenda e Os Naypes no começo do nosso trabalho. Hoje temos 14 integrantes: Eu (Adriano), o Cansado, Gian, Piguer, Tico, Gilson, Cesinha,Tiago (Choque), Marcão, Léo, Marcinho, Gordo, Véia e Chiquinho.

GB - Quais os principais balões que soltaram?

TIT
- Um modelado de 20m fogueteiro diurno em 2000, um modelado de 16m em 2001. Em 2003, um pião de 16m. Em 2004, um pião de 17m com bandeira do Bob Marley, um modelado de 14m fogueteiro noturno, um modelado de 16m fogueteiro diurno e em 2006, um Lapidado de 20m fogueteiro diurno. Fora isso, foram dezenas de balões abaixo de 14m em todos estes anos.


GB
- Qual o balão que marcou estes anos de história da equipe?

TIT
- Cada balão marca de um jeito e tem o seu valor, mas o que mais marcou foi o modelado de 20m em 2000 pois, foi o primeiro balão da turma.

GB
- Qual é a opinião de vocês sobre festivais?

TIT
- Nunca soltamos balões em festivais, mas gostamos muito e achamos que incentiva a formação e desenvolvimento de muitas turmas pequenas porém, hoje em dia esta difícil e realização de festivais por causa das leis brasileiras.

GB
- Resgates?

TIT
- Acho que o resgate tem que existir mas, com mais consciência das turmas. Em todos os resgates, hoje ninguém se preocupa com o local onde caiu o balão e até mesmo no proprio balão. Quebram telhados, sobem em carros, derrubam fios e queimam ou rasgam o balão só por ter o prazer de pegar um engate, um mosquete e até mesmo um bico decorado. Nem se preocupam com o principal que é o balão e se continuar assim, cada vez mais seremos tachados de marginais pelas autoridades e opinião pública.


GB -
Para vocês, principal fator que prejudica a nossa imagem quanto a sociedade é o resgate ou os balões fogueteiros?

TIT - O problema não são os fogueteiros e sim as turmas que querem colocar um peso no balão que não é seguro pro tamanho dele. Se todo balão subisse com seu peso ideal, o fogueteiro seria muito melhor aceito. Outro fator que influencia essa opinião é o local da soltura dos balões tambem pois, se esse local for afastado de casas e indústrias, dificilmente dará algum problema. Até mesmo se o balão estourar baixo. Já o resgate prejudica bastante a arte pela falta de organização e o vandalismo por parte dos proprios baloeiros


GB
- Nessa longa história de resgates, qual foi a história mais interessante que passaram ou acompanharam?

TIT
- Tiveram várias, mas a melhor de todas foi no festival da Tirando Onda. Nem lembro em qual balão que estávamos atrás. Estávamos eu (Adriano), o Cansado e o Gian num Santana. Estávamos numa estrada de terra a "milhão" quando a gente foi fazer uma curva, o carro escorregou e quase caiu num barranco. Todo mundo saiu do carro correndo pra empurrar. Eu estava com a mão na porta e o Cansado não viu e fechou a porta e prendeu meu dedo. O carro foi escorregando pro barranco, eu gritando e os caras pensando que eu estava brincando. Quase foi tudo e eu barranco abaixo. Foi cruel. No final da história, o Cansado veio pedindo desculpas até em casa e meu dedo inchado parecendo uma batata (Rsrsrsrs).

GB
- Qual é o nível de segurança dos balões de hoje e porquê?

TIT
- Bom, hoje em dia o nivel de segurança em relação aos balões é muito melhor que antigamente pois os materiais de hoje são mais resistentes e tem muito mais meios de pesquisa de quantidade de peso, cintamentos, moldes, bocas, etc. O problema é que tem muita turma que exagera na carga do balão e coloca todo seu trabalho em risco. É a mesma coisa que fazer um filho e dizer que foi sem querer, pois teve informação suficiente pra saber evitar. Hoje em dia isso não cola. Tem informação de sobra. É só querer escutar e ser humilde que muita coisa ruim poderá ser evitada.

GB - Cite 3 balões que vocês viram subir e marcaram de alguma forma a vida de vocês

TIT - O modelado de 60m da Jurema, o modelado de 32m fogueteiro diurno dos Naypes e o modelado de 46m noturno também da Jurema, mais pelo pânico que foi no dia e muitos outros que se eu for falar não acabaria mais.

GB - O que vocês acham sobre os sites de balões. O que falta para eles melhorarem?

TIT
- Acho muito bom. Deixa a gente bem informado, são atualizados com frequência. Para melhorar, todos os sites deveriam ter um espaço com bate papo e como a Del Plata com moldes. Isso ajudaria muito as turmas na confecção de seus balões pois, dão dicas para baloeiros que estão começando. Com certeza, isso ajudaria muito a arte a cescer

GB - Um momento difícil?

TIT
- Tivemos algumas brigas e com isso perdemos muitos integrantes da turma e até rompemos a união com a Tradição há alguns anos, mas ainda bem que conseguimos colocar a casa em ordem e estamos juntos de novo. Mas é assim, uns saem outros entram e a turma continua.

GB - 3 turmas ou pessoas que merecem destaque nestes anos?

TIT
- Pivete e Bruxa pela amizade pois o pessoal é muito gente fina, Recanto dos Balões pelo crescimento e a força de vontade dessa turma, e a terceira dedico a todos os baloeiros de verdade que não deixam nossa arte acabar e lutam todos os dias pela arte.

GB - Um fato principal que julgam ser o maior responsável pela mudança dos balões em comparação aos balões do passado?

TIT
- A internet e o computador. Ela ajudou em tudo. Programas que fazem projetos, cálculos exatos e decorações perfeitas. Foi a grande ferramenta para os belos balões de hoje em dia. Só acho que com o computador perdemos um pouco do artesanato, das coisas feitas a mão. Está tudo muito facil. Hoje com um clique, você faz um leque que antigamente demorava um mês pra fazer, mas faz parte. É a tecnologia dando sua mãozinha para nós.

GB - Qual é o maior sonho de vocês?

TIT
- Fazer um pião de 40m riscado, um sonho que em breve se tornará realidade.

GB - Qual o tipo de balão preferido pela turma e porquê?

TIT
- Gostamos muito de fogueteiros diurnos ou noturnos, mas agora estamos partindo para balões com bandeiras, pelos preços de materiais e pela dificuldade em arrumar campos para soltar fogueteiros.

GB - Qual o balão que não fariam de forma alguma e porquê?

TIT
- Golfier, pois é um balão que não tem graça nenhuma. Ele leva não nada. Não tem aquela emoção de guiar o balão e esperar ele subir, abrir aquela bela bandeira que para muitos que estão assistindo é um mistério ou até mesmo aquele fogueteiro que todos esperam subir e dar seu show de fogos. Um Golfier num tem isso. Apenas enchem o balão, colocam a bucha, o biscoito, soltam e pronto: acabou a festa.

GB - O que você acham que poderíamos fazer para melhorar nossa imagem?

TIT
- Bom, o principal é ter mais consiência na hora de soltar os balões. Colocar o peso ideal sem exceder seu limite, soltar fogueteiros em campos bem afastados das cidades e nos resgates pensar mais que isso que fazemos e soltamos é bonito pra gente mas pra quem não gosta é crime, somos marginais. Vamos nos organizar mais e pensar bem antes de invadir uma casa, uma fábrica, pois só assim seremos vistos com outros olhos. Vamos pensar no balão como arte e não como um troféu de resgate.

GB - Pra finalizar, o que significa pra vocês, a palavra BALÃO?

TIT
- Balão é arte, é amizades pra sempre, é cultura, é o folclore do nosso povo enfim, balão é minha vida balão é show no céu e alegria na terra.

GB - Espaço livre:

TIT
- Bom, quero agradecer pelo espaço cedido para que a possamos ter contado um pouco da nossa história para todos os amigos e espero ter contribuido com nosso pensamento sobre as perguntas que foram passadas. Também gostaria de agradecer a todos os baloeiros do Brasil pelos belos balões que estão subindo e que continuem assim e pensem sempre no balão como arte e lazer e não como competição e obrigação. Façam sempre com responsabilidade e porque gostam e não por moda. Obrigado a todos e feliz 2007 com muitos balões


 
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