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Comemorando os 3 anos da soltura do maior pião carrapeta solto na história, trazemos de volta a entrevista realizada por nossa equipe em junho de 2006 com os realizadores deste projeto: Lelo e a Turma Sandú Mosaico: Setenta e dois metros. Parecia inacreditável. Mesmo com tanta experiência que temos com balões de grande porte, fica impossível descrever a emoção que tivemos em ver uma obra-prima em papel como esta, diante de nossos olhos. Em nome de todos os baloeiros, desejamos parabéns ao Lelo e toda Sandú Mosaico por acreditarem e realizarem esse sonho que, não foi só deles. Essa conquista foi de todos nós baloeiros, amantes da arte de papel que, a cada dia, vence suas barreiras e conquista a cada dia mais espaço, apreciadores e novos artistas. Nesta edição especial da Gazeta do Balão, vamos contar a história deste balão, desde o início deste projeto em 2000 até a data da soltura, na manhã fria e histórica do dia 10 de junho de 2006, num sitio na cidade de Guararema, interior de SP.
Para contar a verdadeira história deste balão e acabar com todas as dúvidas que rolam entre os baloeiros, divimos a entrevista em 2 partes: a primeira com o Lelo, o principal responsável pela confecção deste balão e com o Babão, líder da turma Sandú Mosaico, responsável pelo término do projeto e toda a logística da soltura. Começamos com o Lelo, nos reunindo num bar na Vila Maria bairro da Zona Norte de São Paulo, onde ele nos contou sua versão::
Tudo começou em 1990, quando o Lelo, ex. integrante da Turma da Abóbora, também da Vila Maria, viu o 1º pião de 70m doPaulinho Carrapato da Turma Unida do Jabour no Rio e decidiu que iria fazer um balão grande. A princípio, iriam fazer um pião de 35m, mas mudaram de idéia. O tamanho foi aumentando para 42, 52, 60 metros. Como já haviam sido construídos outros balões tanto em SP quanto no Rio com estes tamanhos, decidiram fazer um maior do que o pião do Paulinho Carrapato.
No início do projeto, em 1999, Lelo procurou o próprio Paulinho Carrapato para cortar o balão, mas depois de ser aconselhado por amigos, procurou o Banha, conhecido baloeiro da extinta Turma do Parque. Além de cobrar mais barato, o papel era melhor: Hulk sulferine 32 Gramas, em comparação ao papel que o Paulinho Carrapato ofereceu. O Banha acabou cortando o balão em 9 cones de quase 8 metros. A confecção do balão começou em 2000 na casa do pai do Lelo, também na Vila Maria. Com o passar dos anos, por diversos motivos, inclusive financeiros, o balão foi parar em 4 bancadas em locais diferentes. Primeiro ele foi para a bancada da GBCC em Vinhedo, interior de São Paulo. Após um longo tempo guardado lá, voltou para São Paulo. Em 2004, com problemas financeiros, o Lelo, num acordo com o Babão, um dos líderes da T. Sandú Mosaico, resolveram fazer o balão em parceria na casa de um dos integrantes da Sandú Mosaico. Devido à uma denúncia,a polícia foi nessa casa, mas como não tinham mandato judicial, o dono da casa não liberou a entrada da polícia. Rapidamente, a T. Sandú Mosaico resolveu construir uma bancada de 14 metros no sótão desta casa e foi lá, que terminaram obalão. De acordo com o Lelo, o balão foi pra lá em 2004 com 7 dos 9 cones prontos. Destes 7 cones, 4 estavam fechados, cintados e decorados e 3 fechados e cintados, faltando apenas decorá-los. Além disso, faltava terminar de fechar, cintar e decorar os outros 2 que estavam pela metade, além de fazer a bandeira. No caso da bandeira, o projeto inicial era de 76x130m com tacos de 10cm, mas acabou sendo feita com 70x90 com tacos de 15cm. Lelo também gostaria de deixar bem claro que o tema do Bandeira; "Rei dos Reis", não foi escolhido em provocação ao pião de 54m da T. da Harmonia do RJ de 1985, que levou esse nome (Rei dos Reis), como alguns estão dizendo. A escolha desse nome foi realmente alusivo ao tema da bandeira que retratava Jesus Cristo como o Rei dos Reis. Até porquê, segundo ele, o balão teve ajuda de várias turmas do Rio, até mesmo pela Cometa que também ajudou na confecção e soltura do Pião de 54m em 1985. Outro detalhe foi a escolha do campo para soltar o balão. A princípio era na cidade de Terra Preta, na mesma região de Guararema onde ele subiu, mas não acharam o campo adequado para a soltura do balão. Tudo acabou quando o Ivan da T. Cortiço ofereceu um sitio de um amigo em Guararema e foi aceito na hora. Chegaram na semana da soltura para montar a antena. 12 horas de trabalho árduo com 18 pessoas, eles terminaram de montar a gigantesca antena com 74 metros de extensão e mais de 200kg.
De acordo com tudo que ouvimos do Lelo, podemos ver que o sucesso deste balão não foi por sorte. Tudo foi planejado.Desde a confecção do balão, cintamento, a escolha dos materiais, a decoração e a fabricação da boca, foram totalmente planejados. Foram feitos testes com Papel, Rami, Fio Dental, Durex, Buchas, Cordas, enfim, tudo foi testado para não acontecer a mesma situação que houve com o 2º Pião de 70m do Paulinho Carrapato que explodiu segundos após subir. Tudo foi planejado, por isso deu certo. Não tiveram pressa para confecionar, para cintar, não é a toa que num balão de 70 metros, haviam exatas 760 cintas. No cone 9, o do bico para terem uma idéia, havia cintamentos a cada 3cm. Mesmo errando e colando um gomo a mais nos primeiros cones, fato que ninguém soube explicar o porquê, tiveram paciência em retirar esse gomo e fechar com excelência o balão. Até na soltura, foram utilizadas técnicas para inflar o balão, intercalando o ar frio do ventilador com o ar quente dos maçaricos. Realmente eles seguraram o balão por 1 hora e meia no maçarico para esperar que a neblina baixasse, mas como começaram a aparecer rasgos no balão, resolveram soltá-lo antes da neblina se dissipar. O resto todo mundo já sabe. O balão subiu perfeito, levou a bandeira e seus mais de 830 kg de peso juntando a bandeira, antena, boca, bucha, cabos, engates e cordas, tranquilamente. O fato da antena ter fechado, segundo o Lelo, é normal devido à pressão com que o balão subiu, até porque, ela se fechou mais de 15 minutos depois que ele subiu e não após a subida como algumas pessoas disseram. Quanto ao resgate, realmente não se tem notícia. O Lelo disse que, devido aos mais de 140kg de bucha, provavelmente o balão tenha caído por volta de 3 horas da manhã. E a opinião do Lelo bate com a informação que temos de que o balão foi visto pela última vez as 2:30 da manhã numa cidade do norte do Espirito Santo em direção ao Sul do estado da Bahia, porém em alto mar.
No fim da nossa entrevista, perguntamos ao Lelo se ele faria outro desse e ele respondeu: "Sim, mas quero tirar férias. depois eu penso nisso. (Risos)"
Para finalizar, o Lelo gostaria de agradecer aos amigos: Babão e toda turma Sandú Mosaico, Ivan (T. Cortiço - SP), T. Jurema - SP, Banha, Ivo Patrocínio, T. Cometa - RJ, Turma Os Naypes- SP, Belotti, T. Emenda - SP, T. Listagem -SP, Fabrício, Miltinho, Eskina, Billiks, T. GBCC (Vinhedo-SP), T. Balocaia - SP e a todos os amigos que ajudaram na confecção, cessão de materiais e na soltura do maior pião carrapeta já construído e solto na história do balões.

Agora vamos conhecer o outro lado da história, com a versão da Turma Sandú Mosaico:

Como puderam perceber, a história deste balão é muito fascinante. Assim como o seu tamanho, muitas histórias foram ditas e para acabar de uma vez com isso, procuramos os dois lados da história. O Lelo e o Babão, responsável pela Sandú Mosaico. Acima você acompanhou a versão do Lelo, feita pessoalmente por nossa equipe num encontro com o Lelo no fim de junho. Agora, vamos contar a versão do Babão, que de acordo com o que ele mesmo disse, não está muito diferente, mas nos orientou a ouvir e publicar sua entrevista no DVD oficial do balão, que foi feito pelo amigo Godoy
Conforme o Babão diz na entrevista ao Arte Virtual, eles pegaram o balão em 2004, logo após a soltura do Modelado de 34m branco e preto. Na época, o Lelo estava com problemas financeiros e ofereceu o balão para o Babão por R$4500,00, mas ele não quis compra-lo. Preferiu se unir ao Lelo no projeto e soltar o balão em parceria. Mesmo assim, fizeram uma "vaquinha" e arrumaram um dinheiro para ajudar o Lelo. Logo após, começaram a fechar a bandeira que já estava com todas as folhas de tacos prontas na casa do Babão. Eles fizeram os cones, cintaram a bandeira, empacotaram e guardaram, partindo para terminar para a confecção do balão. Gastaram 6 meses para fechar a bandeira e mais 1 ano e meio no balão. Quando foram começar a confecção do balão, se surpreenderam pois imaginavam que o balão estaria pronto, faltando alguns detalhes, mas o balão foi pra lá com 7 dos 9 cones prontos. Destes 7 cones, 4 estavam fechados, cintados e decorados e 3 fechados e cintados, faltando apenas decorá-los. Além disso, faltava terminar de fechar, cintar e decorar os outros 2 que estavam pela metade. Gastaram 4 meses para terminar o cone 7, o mais largo. De acordo com o Babão, eles tiveram problemas com denúncias dos vizinhos e decidiram levar o balão para a casa de outro integrante da turma. Passado um tempo, voltaram a confecioná-lo e dividiram em duas etapas: os cones prontos ficavam guardados juntamente com a bandeira num local e o balão era confeccionado em outro. Após acabarem a confecção e decoração do balão, partiram para a bandeira. Ela, a princípio tinha 52m de largura por 90m de altura, mas acharam pequena e aumentaram dois cones, aumentando sua largura para 70m. Terminado a bandeira, partiram para o fechamento dos cones do balão. Devido ao grande número de comentários que haviam por causa do balão, decidiram esconder o balão por precaução no sótão desta casa até a poeira abaixar. Poucas pessoas sabiam que o balão estava lá. Até mesmo alguns integrantes da Sandú Mosaico. Acabaram resolvendo fazer uma bancada naquele sotão e fechar o balão lá mesmo. De acordo com o Babão, eles gastaram quase 4 meses para unir todos os 9 cones.
E o balão só saiu de lá na semana da soltura. Para tirar o balão do sótão, foi uma enorme operação. Imaginem a dificuldade que tiveram em tirar o balão pronto mais a bandeira pelos cômodos do sobrado onde ele foi finalizado. E de lá o balão foi para o sítio na antevéspera da soltura (08/06). O resto, como já sabemos. Este lindo e gigantesco pião subiu, deu show e sumiu mar adentro.
A GB agradece ao Lelo, Babão e Rafael (Sandú Mosaico) pelo carinho e atenção que nos atenderam. Um grande abraços e votos de muito sucesso para vocês e toda Sandú Mosaico.

  Dados Técnicos
Molde: Ivo Patrocínio - RJ
Corte:
Banha - T. Parque - SP
Papel: Hulk Sulferine com 32 gramas
Tamanho real: 70,40m
Nº de Gomos 180, divididos em 9 cones de 8m aproximadamente
Tempo de confecção: 6 anos
Cintas: + ou - 850 cintas (balão) 500 (bandeira)
Bandeira: 70x90m tema: Jesus - O Rei dos Reis
Tamanho e composição da Antena 74m - Bambú, arames e Ramis Parafinados
Tamanho e composição do Cabresto 150m de Fitilho nº 10
Quantidade de Guias: 9 guias
Diâmetro e peso da Boca: 5m com 90 kg
Peso e Composição da bucha: 144kg - Sebo, Parafina e Algodão com tela de proteção
Equipes que cederam materiais e ajudaram na confecção do balão:
Cortiço, Os Naypes, Emenda e Balocaia (SP), Jurema, Listagem e Eskina (Guarulhos-SP), GBCC (Vinhedo) e Cometa (RJ)
Gasto Aproximado / Peso Total: R$ 19.000 / + ou - 1300 kilos


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