entrevistas > Birra

GB - Com o passar do tempo, vemos o quanto é gostoso esse nosso trabalho. Além de podermos expor as nossas idéias, conhecimentos, histórias e todo nosso acervo fotográfico, essa "brincadeira" que deu certo, que é a GB, nos coloca em situações engraçadas, o que nos dá mais vontade de continuar. Hoje mesmo, foi a sequência de coincidências que tivemos, e todas elas nos levaram ao bairro da Vila Maria, um dos berços dos balões em SP. Primeiro, escolhemos relembrar a entrevista da Estrellar, uma das equipes de maior prestígio na década de 80 por seus excelentes e lindos balões. De onde ela era? Vila Maria. Depois, fizemos contato com o Marcelo da Turma da Birra para esta entrevista e adivinha de onde ela é? Vila Maria !!! Pra finalizar, preucupados em contar a verdadeira história do pião de 72m do Lelo e T. Sandu Mosaico, fizemos contato com o Lelo, o principal responsável pelo projeto. Marcamos a entrevista e adivinha de novo aonde ele mora? Na Vila Maria. Salve salve Vila Maria. Se eu fosse seu devoto, agradecia desde já por tantas bênçãos no mesmo dia. Coincidências a parte, após entrevistarmos o Lelo, fomos até a sede da Turma da Birra. Uma turma que eu não conhecia, mas já solta seus balões há 21 anos e tem grandes influências das grandes turmas da Vila Maria e zona norte. Reunidos os 4 irmãos: (Marcelo, Rogério, Roger e Fiu), principais responsáveis pela turma, vamos para a primeira e básica pergunta: Como nasceu a equipe:

TB - Nós sempre soltávamos nossos balões desde a infância, junto com amigos e nossa família. Após acompanharmos as solturas de alguns balões da T. Severa e da T. Estrellar, em 1985, resolvemos fazer uma turma. Escolhemos o nome Birra, pois éramos em varios jovens e todos queriam fazer um balão diferente, nem tínhamos turma e já tínhamos estas encrencas Um ficava meio de cara feia com o outro... por isso Turma da Birra.... depois viemos saber que birra é cerveja em italiano.. Mas na época, nem sabíamos disto.
Nosso primeiro balão foi um 2x2 com bandeira.

GB
- Quais os principais balões que soltaram?

TB
- Em 1986, um 3x3 com armação "Cruz de Malta", um 4x4 fogueteiro noturno e um pião de 8m fogueteiro. Em 1989, um 5x5 fogueteiro noturno, nosso primeiro balão forrado. Em 1991, um 7x7 fogueteiro diurno, em 92 uma bagdá de 8m. Já em 2000, soltamos um 6x6 fogueteiro noturno. Em 2001, soltamos um modelado de 13m fogueteiro diurno, um Truffi de 12m com bandeira, Pião de 16m com bandeira e um careca de 7m. Em 2002, um pião de 16,50m fogueteiro, modelado de 11m de seda com bandeira, Truffi 10m e um modelado de 8m no festival da Tirando Onda e um Truffi de 10m. Em 2003, um 5x5. Em 2004, Soltamos um modelado de 7m no festival da Tirando Onda. Em 2005, o nosso maior projeto, um modelado de 20m com bandeira e neste ano uma bagdá de 16m de seda com bandeira.

GB
- Qual o balão que marcou estes 21 anos de história da equipe?

TB
- Foi o pião de 16m em 2001. Pela primeira vez, tivemos que planejar tudo, pois tivemos que colocar tudo nos carros e levar para soltar em outro lugar. Até então, só soltávamos nossos balões na praça em frente de casa e em locais próximos. Neste balão, tivemos que transportar tudo para soltá-lo em outro lugar e tivemos alguns problemas, e estes detalhes que faltaram, nos deu experiência para nos organizar, planejar e programar ainda mais, as nossas próximas solturas.

GB
- Qual é a opinião de vocês sobre festivais?

TB
- Participamos, sempre que possível dos festivais da Tirando Onda. Não temos nada contra festivais desde que somente soltem balões com bandeira, sem fogos. Balão fogueteiro em festival não é legal.

GB
- Resgates?

TB
- Não participamos de resgates. Só vamos atrás dos balões que soltamos. Vamos para acompanhar o regate, ver quem vai levar o balão e se ele caiu apagado, pois este é o principal motivo que soltamos nossos balões com buchas de papel higiênico. Elas são práticas, leves eficientes e baratas. Somos uma equipe que, ao contrário de muitas outras, pensamos também no resgate dos nossos balões.

GB
- Como sempre acompanham os resgates de seus balões, qual foi a história mais interessante?

TB
- Parece história de pescador mas não é. Soltamos um 4x4 fogueteiro em 1991 na praça aqui em frente a sede. Ele ficou uma hora e meia no alto e caiu, totalmente apagado, 50 metros de onde ele subiu. Aqui na rua mesmo. O pior foi que juntou uma galera para pegar o balão e um motoqueiro, que não conhecíamos, querendo ganhar vantagem, disse no resgate, que o balão tinha sido ele que soltou, é mole? Uma outra história engraçada foi da bagdá de 8m que caiu no cemitério. Ninguém queria ou podia entrar, mas entramos com uma carteira do serviço funerário de um amigo e pegamos o balão de novo.

GB
- Qual é o nível de segurança dos balões de hoje e porquê?

TB
- 05. Por que tem muita turma soltando seus balões com excesso de peso, de bucha. Não respeitam os limites do balão.

GB - O que vocês acham sobre os sites de balões. O que falta para eles melhorarem?

TB
- É muito bom. estes sites nos ajudam a divulgar nossa arte e a conhecer novas turmas e baloeiros.

GB - Um momento difícil?

TB
- Foi na soltura do nosso modelado de 20m em 2005. Quando fomos soltá-lo em Mairiporã, o tempo não ajudou, o maçarico deu pau, não conseguíamos encher o balão. Desistimos e levamos de volta para a bancada, arrumamos os rasgos no balão e depois de mais 2 tentativas, conseguimos soltar o balão. Haviam poucas pessoas no campo, desta vez em Ribeirão Pires. O tempo estava ruim. Só ficou 30 minutos bom e foi nesse espaço de tempo que soltamos o balão. O balão subiu tranquilo e depois que ele subiu, o tempo fechou de novo e perdemos ele nas nuvens. De acordo com informações, ele caiu em Bertioga, no mar. Outro momento foi na soltura de um 4x4 letreiro em 1992. Uma vizinha arrumou uma cola Cor de Rosa jurando que era de excelente qualidade, mas quando o balão estava nas guias, levando as últimas letras, o bojo começou a desmanchar. Baixamos o balão e colocamos fogo nele. Foi o único balão nosso que queimou até hoje, em 21 anos de turma.

GB - 3 turmas ou pessoas que merecem destaque nestes 21 anos?

TB
- Turmas Estrellar, Severa e Caxanga.

GB - Um fato principal que julgam ser o maior responsável pela mudança dos balões em comparação aos balões do passado?

TB
- A mudança da Lei em 1998. Muitas equipes e baloeiros excelentes pararam depois disso.

GB - Qual é o maior sonho de vocês?

TB
- Voltar a soltar balões em frente de casa, na rua, na praça. Poder convidar amigos, vizinhos e fazer aquela festa que acontecia no passado quando soltávamos nossos balões.

GB - Qual o tipo de balão preferido pela turma?

TB
- Diurno com bandeira.

GB - Qual o balão que não fariam de forma alguma?

TB
- Um balão grande. Porque para fazer um balão deste porte, é necessário dinheiro, tempo, dedicação, local para soltá-lo e fazê-lo. Até 16m, dá pra fazer em casa, numa bancada simples que não atrapalha.

GB - O que você acham que poderíamos fazer para melhorar nossa imagem?

TB
- Ter CONSCIÊNCIA. Impormos limites, pensarmos no resgate. Tem gente que só pensa na soltura do balão. Tem que haver respeito. Respeito ao balão, aos vizinhos, aos baloeiros e aos donos dos telhados onde eles caem.

GB - Pra finalizar, o que significa pra vocês, a palavra BALÃO?

TB
- Balão é amizade, união, diversão, prazer. Um momento de irmãos, amigos se reunirem, de esquecerem seus problemas.

GB - Espaço livre:

TB
- Baloeiros, vamos ter consciência e respeitar todas as pessoas. Ninguém é obrigado a aguentar os balões fogueteiros na cidade durante as madrugadas e manhãs, principalmente durante a semana. Esperamos que um dia, consigamos nos unir de verdade e, com isso, tentar fazer com que nossa arte volte a ser respeitada, e que o balão, ocupe seu verdadeiro espaço. Que haja paz nos resgates, sem vandalismo. Apenas peguem o balão e vão embora. Não destruam as casas onde eles vão cair. Um grande abraço à todos. Valeu !!!



 
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